Setembro Amarelo: Penumbra
Paro no corredor. Percebo que estou sem rumo. A mínima claridade das seis da tarde entra pela janela do banheiro e estimula as minhas células da retina. Vejo os objetos que me cercam, mas completamente sem detalhes.
Subo as escadas para, enfim, tomar um banho. Paro no último degrau e suspiro. O cheiro da lavanderia percorre o meu sistema respiratório, mas ele não me soa familiar.
Subo o último andar e procuro uma calcinha. Paro ao lado da máquina de lavar roupa e olho para o meu jaleco. Amanhã tenho que trabalhar.
Entro no quarto com suíte e pego uma toalha. Entro no banheiro sem luminosidade. Resolvo não acender a luz e tomar banho com somente o barulho da água encostando na minha pele.
Meu pai me encontra e acende a luz. Peço incessantemente para que ele me deixe sozinha. Ele sai. Fecho a porta.
Coloco a minha roupa das últimas setenta e duas horas para lavar. Preciso de uma nova energia.
Saio do banho e me deparo com a luz do quarto acesa. Meu pai não apagou quando saiu. Ser fotofóbica nunca foi e nunca será uma característica legal de se ter.



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