Resenha: "A Ilha dos Daltônicos"

Eu faço um curso de tecnologia oftálmica, na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). O curso envolve a prática de exames, adaptação de lentes de contato, reabilitação visual, desenvolvimento de equipamentos oftalmológicos e, até mesmo, instrumentação cirúrgica. Estou no meu quarto e último ano e adorando toda essa área da oftalmologia, até então, detestada por mim.

Quando ia fazer os exames de rotina (sou míope desde os 9 anos de idade!) no oftalmologista, achava super sem-graça o médico passar o dia olhando olho. "Tanta coisa pra querer conhecer...". Hoje eu acho um universo surreal e ainda temos muito para conhecer.

Eu sou fascinada por retina (a partezinha que fica no fundo do olho!) e gosto de ler muito sobre ela e as doenças que a atinge. Semana passada fui à biblioteca pública da minha cidade procurar alguns livros para entretenimento e, ao mesmo tempo, que pudesse me ajudar a explorar um pouco dessa parte oftalmológica que tanto me fascina! Encontrei, bem ao fundo da prateleira, um livro chamado "A ilha dos daltônicos", de Oliver Sacks, um médico curioso (deveria ser um pleonasmo, mas nem todos são tão entusiasmados com a pesquisa científica assim!) e amante da natureza. Resolvi pegar assim que li a sinopse:

A ilha dos daltônicos, o cientista e neurologista Oliver Sacks comprova que é um homem que se apaixona, que possui uma inteligência intensamente refinada pelo trabalho e que é um excelente narrador. As narrativas deste livro nascem nos arquipélagos do Pacífico. De lá vêm reflexões sobre a natureza do tempo geológico profundo, a disseminação das espécies, a gênese das doenças. Vêm também histórias sobre as cicadáceas, teimosas plantas do período paleozóico, histórias de ilhéus que não conhecem o azul ou o verde do mar à sua volta, porque nascidos com uma incapacidade absoluta de ver as cores, histórias de uma paralisia neurodegenerativa que vitima apenas os membros de certo grupo social, os chamorros, nas ilhas Marianas.

Pingelap possui menos que três milhas quadradas e a elevação mais alta na ilha é apenas dez pés acima no nível do mar. Em 1775, um Tufão Lengkieki passou por cima da ilha destruindo a vegetação e matando noventa por cento dos habitantes. Como último recurso, os vinte sobreviventes pescaram como a única maneira de sobrevivência até que a ilha se recuperasse o suficiente para o crescimento de vegetais e passaram a se reproduzir. O gene maskum, que atingia a 5% da população, o que geralmente acontece em todo o mundo, passou a se proliferar devido a reprodução consanguínea.


O livro traz consigo uma imensa vontade de pesquisar: conhecer novas palavras (ou que estão em desuso), aprender um pouco sobre a natureza, sobre os mitos e cultura de Pingelap... o livro prende a atenção de uma maneira indescritível, além de descrever sentimentos que eu não sabia que sentia.


A história é tão interessante que a BBC já fez uma matéria sobre ela. Confira aqui.

Hora dos trechinhos...

A "Hora dos trechinhos" dessa resenha é um pouco mais científica do que os outros livros que já resenhei lá no "Gostos de Uma Adolescente", mas vale muito a pena dar uma conferida.

"Pois as ilhas eram, por assim dizer, experimentos da natureza, lugares que a singularidade geográfica, por bênção ou por maldição, destinara a abrigar formas únicas de visa - os aiais e potos, os lóris e os lêmures de Madagascar, as grandes tartarugas de Galápagos, os pássaros gigantes que não voam da Nova Zelândia -, todas elas, espécies ou gêneros singulares que haviam seguido um caminho evolutivo separado em seus hábitats isolados. E eu sentia um estranho prazer com uma frase de um dos diários de Darwin, escrita depois de ele ter visto um canguru na Austrália e tê-lo julgado tão extraordinário e estranho que ficou imaginando se não representaria uma segunda criação." - Página 21

"A mutação para a acromatopsia pode ter surgido entre os habitantes das Carolinas séculos antes; mas tratava-se aqui de um gene recessivo, e, enquanto existiu uma população numerosa suficientemente, as chances de dois portadores se casarem e de a doença se manifestar em seus filhos foram muito pequenas. Tudo isso mudou com o tufão, e estudos genealógicos indicam que foi o próprio namwarki sobrevivente o primeiro progenitor de todos os portadores subsequentes.

Os bebês com a doença dos olhos pareciam normais ao nascer, mas aos dois ou três meses de vida começavam a semicerrar os olhos ou piscar, a apertar os olhos ou virar a cabeça para longe da luz forte; e quando começavam a andar ficava evidente que não conseguiam enxergar detalhes ou pequenos objetos à distância. Na época em que chegavam aos quatro ou cinco anos, percebia-se claramente que não eram capazes de distinguir as cores. O termo maskun ('não ver')  foi cunhado para designar essa estranha doença, que ocorria com igual frequência em meninas e meninos - crianças em todos os demais aspectos normais, inteligentes e ativas.

Atualmente, mais de duzentos anos depois do tufão, um terço da população é portador do gene maskun e, dos cerca de setecentos ilhéus, 57 têm acromatopsia. Em outras partes do mundo, a incidência da acromatopsia é de menos de um caso de 30 mil pessoas - em Pingelap, a proporção é de um para doze." - Página 49. 


Ficou interessado em "A ilha dos Daltônicos"? Se liga nas informações:



Título Original: The Island of the Colorblind 
ISBN: 9788571646827 
Editora: Companhia das Letras


Onde comprar:       Companhia das Letras        Americanas                Submarino



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